
Por algum motivo quase fatídico (vamos de eufemismos com tudo, algumas palavras soam bem por si, não precisam ser ruins só porque significam algo quase ruim), deu fome no final da tarde num dia de almoço apenas simbólico (sopinha em pó na caneca). Como tinha esses dias passado na panificadora Jocasta, na Mateus Leme, e comido uma coxinha bem feita, resolvi me socorrer deles pra esse lanche pecador. A panificadora é feia, feia de verdade, mal arrumada, o balcão é apertado do lado direito, a disposição dos pães e confeitos é ruim e desleixada, mas como a coxinha tinha se mostrado fresca e saborosa, resolvi arriscar outro lanchinho. Por coincidência (não fui programado lá pra fazer a primeira avaliação deste blog), havia um cesto grande de pães de queijo junto à portinhola que leva ao forno e ao local de produção dos pães. Aliás, cá entre nós, o pão de queijo ainda estava quentinho, e ninguém pra se aproveitar do apelo do frescor e já colocar isso nas esquisitas mesas altas de vidro que ficam na "ala esquerda" da padaria, com destaque e já com o preço. Mas, como a avaliação aqui é do pão de queijo e não da visão comercial da panificadora, aí vai o que achei. O pão de queijo é simples, sem caraminholas engordurantes como calabresa. A cor é ótima, a casca irregular com leves rachaduras, pontos mais escuros do queijo parmesão (um certo desrespeito ao purismo ligado ao queijo minas curado). Ótima textura, aerado sem ser um truque de vento como tantos por aí, a casca resiste á mordida mas cede e apresentar um interior esponjoso desejável com muitas bolhas de ar. O fundo mostra que foi assado em forma vazada, o que por certo garante que fique mais crocante. O sabor é bom, mas há um certo resquício "yoki", talvez pela aplicação do parmesão, que acredito não ser de grande qualidade, mesmo porque o preço não é tão alto (R$ 21,50 o quilo). Em tempo: acabei de falar com o padeiro Fábio, que me revelou que usa uma mistura pronta e adiciona água, queijo e ovos. Soube disso depois de ter escrito tudo que está acima, então... dá pra colocar tudo no mix e pelo nosso método, pontuar assim: artesanalidade: 1,5 (parece que o gostinho meio "pozinho" tinha seu motivo); Simplicidade: 6, afinal, o pão de queijo é sabor parmesão. Preço: o preço de R$ 21,50 é dos mais baixos que encontrei em pesquisa, mas é claro, tem o macete da mistura pronta na questão. De qualquer modo, tem que se falar em custo benefício, e tem panificadora bem mais gabaritada no geral na região cobrando R$ 23,90. Assim, o preço não é animador, mas não está ruim. (As panificadoras "de grife" da cidade cobram até R$ 35,00 o quilo). Leva então 11 pontos na escala de 15. No quesito frescor, um pão de queijo recém assado às 16:45 da tarde merece 20 pontos. Sorte ou não, eu não escolhi a hora que ele saiu e nem fui lá pra isso. Assim, nota máxima. Por fim, na avaliação gustativa geral, o conceito do pão de queijo (aparência, textura, peso, quantidade de sal, sem evidências de ser muito gorduroso), entrega o sabor levemente industrializado, e certamente, como os dois elementos principais são o queijo e o polvilho, o sabor está entre o bom e muito bom. A subjetividade vai estar sempre presente aqui, mas basta lembrar que esse critério compõe 50% da nota apenas. Assim, vai levar 35 pontos em 50, daria pra passar de ano, acho. No total, a Jocasta levou 73,50 pontos na escala de 100. Considerações feitas, vamos fazer os comparativos a partir da próxima avaliação.