Há algum tempo, numa parada do ônibus entre Curitiba e Foz do Iguaçu, me senti traído e frustrado. Meio da madrugada, fiz uma enorme força pra desgrudas as pálpebras de chumbo que o sono tinha decretado, e desci, meio zonzo, do veículo da Viação Catarinense pra comer um pão de queijo generoso no posto de parada. A mocinha, educada mas não sorridente, me alcançou uma massa pálida e compacta, que ainda mostrava traços de polvilho cru no meio de uma maçaroca desqueijada, em absoluto, pois se ali havia queijo, eu jurava ter pernas de fauno ou o cabelos da Medusa. Tempos antes daquele dia, o tal pão de queijo fora saboroso. Longe, muito longe de ser uma iguaria, contudo chegava a animar o lanchinho madrugueiro, precursor da azia matutina, ainda assim um pecadinho pagador. Indignado, depois de jogar parte do grude na lixeira exageradamente grande do balcão, fiquei ruminando o desgosto da falta de gosto e de excelência, e, afeto que sou da arte do alimento-arte, ou do alimento da arte-alimento (virou balbuciar?), resolvi provar pra mim mesmo que edições e juris suspeitos de revistas presunçosas a ponto de dizer que conseguem listar O Melhor de Curitiba não podem me vencer em presunção, afinal, porque a solidão da minha opinião do cozinheiro comilão não pode ser ainda mais presunçosa? Compliquei demais? Perdões, mas vou descomplicar, pois a idéia é simples: vou correr a cidade e provar pra vocês, como primeira e espero, não última tarefa, que posso apontar o melhor pão de queijo da cidade. Voltem amanhã pra começarmos juntos.
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